Algumas expressões curiosas usadas pelos portugueses

Portugal

Um português não tem um problema, na realidade ele está “feito ao bife”.

Um português não lhe diz para deixá-lo em paz, diz-lhe “vai chatear o Camões”.

Um português não lhe diz que é sexy, diz-lhe “é boa como o milho”.

Um português não repete o que diz, ele “vira o disco e toca o mesmo”.

Um português nunca se chateia, apenas “fica com os azeites”.

Um português não tem muita experiência, ele tem “muitos anos a virar frangos”.

Um português não se livra de problemas, ele “sacode a água do capote”.

Um português não está numa situação desesperante, ele está com “água pela barba”.

Um português não se irrita, ele “vai aos arames”.

Um português que muda de ideias facilmente é um “troca-tintas”.

Um português não é descarado, ele “tem lata”.

Um português não se recusa a dar informação, ele “fecha-se em copas”.

Um português não morre, ele “estica o pernil”.

Um português não se faz de surdo, ele “faz ouvidos moucos”.

Um português não diz que está tudo suspenso por tempo indeterminado, ele diz que “ficou tudo em águas de bacalhau”.

Um português não diz “É indiferente para mim”, ele diz Não me aquece nem me arrefece”.

Um português não passou por situações difíceis, ele passou as passas do Algarve”.

Leia também: Brasil x Portugal – diferença de vocabulário

Leia também: Expressões curiosas na língua portuguesa – parte 1

Leia também: Expressões curiosas na língua portuguesa – parte 2

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53 comentários sobre “Algumas expressões curiosas usadas pelos portugueses

  1. Algumas das expressões têm um sentido algo diferente do listado:
    * «vira o disco e toca o mesmo» não é usando em situações em que alguém repete o que disse antes; é uma expressão usada quase exclusivamente em situações em que uma aparente mudança afinal deixou tudo igual (por ex., na política, em que muda o partido do Governo, mas as más políticas continuam).
    * «sacudir a água do capote» não significa livra-se de um problema, mas FINGIR que o problema não é com ele (o que não é a mesma coisa)
    * Ter «água pela barba» não é estar numa situação desesperante, mas algo muito mais suave: é apenas estar numa situação que dará muito trabalho a resolver, é estar assoberbado.

    Ah, e a expressão «Vai chatear Camões» não é usada, pelo menos na minha região, nem nunca a ouvi a outros portugueses. Pensando bem, só a li em sites brasileiros que dizem que nós dizemos isso… 🙂

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  2. Eu uso muitas vezes a expressão: “Vai chatear Camões!”
    No entanto também faço uso da: “Vai dar banho ao cão!”, e “vai morrer longe!”
    Penso que todas elas exprimem o mesmo.

    O português, quando morre, “estica o pernil”, mas também “deu-lhe um fanico e foi-se desta p’ra melhor”, ou “coitado, foi um ar que lhe deu!”

    Quando a coisa não me interessa, “não me aquece, nem me arrefece”, mas também “é p’ró lado que eu durmo melhor!”, ou “tanto se me dá, como se me deu!”

    Quando o português passou por situações difíceis, ele “passou as passas do Algarve”, ou então “comeu o pão que o diabo amassou!”

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      • Exacto. “Resvés Campo de Ourique” teria a ver com os limites da cidade (embora também se diga ser porque ficou a muito pouco de atingir Campo de Ourique, ao entrar pelo vale de Alcântara, o maremoto que se seguiu ao grande terramoto de 1755). Já “parece as obras de Santa Engrácia” tem a ver com os muitos anos que levou a construir o Panteão Nacional (Igreja de Santa Engrácia), e é expressão lisboeta que no resto do país será substituída pela “ser bom para ir buscar a morte” (ou seja, é vagaroso, demora-se, nunca mais acaba ou dá a tarefa por terminada).
        E depois ainda há outras expressões igualmente lisboetas (alfacinhas), tais como como “pôr o Rossio na Rua da Betesga” ou “estar a fazer tijolo”. Esta última, a exemplo do “cai o Carmo e a Trindade” e outras, remete para o grande terramoto de 1755 em que não só as zonas altas do Carmo e da Trindade ficaram grandemente destruídas, como na reconstrução da cidade a matéria-prima mais utilizada era extraída do filão de argila situado entre a Graça e o vale da Avenida Almirante Reis (ainda hoje denominado de Forno do Tijolo). Boa parte dessa área estava ocupada pelo cemitério mourisco da cidade (o Almacávar) e rapidamente a extracção de barro invadiu terrenos do mesmo, levando ao aparecimento de restos de ossadas no barro transformado em tijolo. Portanto, muito gente que morreu e por ali foi sepultada acabou por ficar a fazer de tijolo e hoje quem morre já “está a fazer tijolo”.

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  3. Já agora ficam aqui umas curiosas (com origem no Porto):
    – “Vergar a mola” – trabalhar;
    – “mandar bitaites” – dar palpites;
    – “arrotar postas de pescada” – gabar-se;
    – “andar de cu tremido” – andar de carro;
    – “Vai no Batalha” – mentira;
    – “Vai-me à loja” – não me chateies;
    – “Vou dar de frosques” – sair;
    – “Largar o gregório” – vomitar;
    – “C’a grizo” – frio;
    – “Jeco” – cão;
    – “Chuço” – guarda-chuva;
    – “Azeiteiro” – parolo;
    entre muitos outros!
    Abraço!

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  4. E ainda mais algumas!
    “Dar a volta ao bilhar grande” = ir pelo caminho mais longe / sair de perto daqui
    “Bué” = muito
    “Fixe” = legal (de bom, não no sentido de lei)

    ie, bué fixe = muito legal 🙂

    Outra coisa: embora Portugal seja um país pequeno, tem muitas experssões regionais que eu nem conheço! O meu amigo Algarvio ensinou-me algumas, mas já esqueci… no Ribatejo tb têm muitas engraçadas, e por aí vai.

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  5. Pingback: Os posts mais lidos em 2015 | Blog Português sem Mistério - Betty Vibranovski

  6. Bety.
    Muito obrigado por ser uma cultora da nossa língua. è aconchegante sermos da mesma pátria. Deixe-me adverti-la de que um tratamento, para você, por ” Betinha” que para os de cá[PT]pode ser carinhoso, como pode significar alguém mimado e um pouquinho caprichoso! P.ex. “…ela é uma betinha!…”
    Com este meu cumprimento deixo à sua argúcia, lindas expressões de cá que talvez possa vir a utilizar e que transmitem estados de alma – ! Estou-me nas tintas ou estou-me borrifando! Vender a banha da cobra! Dar corda aos sapatos! Com uma perna às costas! Dizer coisas do arco da velha! encostar a roupa ao pêlo! ir desta para melhor! Dar o braço a torcer ou torcer o nariz! voltar à vaca fria! Com a pulga atrás da orelha! Quem cabritos vende e cabras não tem… de algum lado lhe vem! Dar uma no cravo outra na ferradura…
    Bom trabalho. Bj

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