Plural desnecessário

LETRAS

1) “As pessoas na plateia balançaram as cabeças” ou “As pessoas na plateia balançaram a cabeça”?

2) “Eike Batista colocava um “X” nos nomes das suas empresas” ou “Eike Batista colocava um “X” no nome das suas empresas”?

 

Respostas:

  1.  “As pessoas na plateia balançaram a cabeça”, pois cada pessoa só tem uma cabeça.
  2. “Eike Batista colocava um “X” no nome das suas empresas”, pois cada empresa só tinha um nome.

Plural desnecessário

Por Laércio Lutibergue

É cada vez mais frequente o plural desnecessário. Esse plural é aquele que não acrescenta nada – em termos de significação, de estilo e de correção – ao texto.

A pluralização desnecessária costuma ocorrer com palavras abstratas. Palavras como “ausência”, “identidade”, “escalação (de jogador)”, “nome”, “presença”, “alma”, “morte” e “vida” não devem ser pluralizadas quando se referirem a mais de um proprietário.

Veja o caso da frase “É melhor todo mundo ir cuidar de suas vidas”. O que diz ela? Que “todo mundo” tem mais de uma vida, pois deve cuidar de “suas vidas”. Isso seria possível, crenças religiosas à parte, se fôssemos gatos, que dizem ter sete vidas. Mas, como somos humanos, “É melhor todo mundo ir cuidar de sua vida”.

Outro caso: “Os nomes dos aprovados estão no jornal”. Todos temos um só nome, certo? Certo. Mas não é isso que diz a frase. Ela diz literalmente que os aprovados têm vários nomes. Melhor e mais lógico seria dizer que “O nome dos aprovados está no jornal”.

O plural desnecessário é frequente também com as partes do corpo que são únicas. Um exemplo: “Os sindicalistas balançaram as cabeças afirmativamente”. São sindicalistas ou extraterrestres? Sim, porque, como os seres humanos só têm uma cabeça, deveria ser “Os sindicalistas balançaram a cabeça afirmativamente”.

E nem as palavras que já encerram ideia de plural estão a salvo da pluralização desnecessária. Vejamos estes dois casos: “A solicitação das documentações será feita o mais breve possível”; “A rua está cheia de metralhas”.

Nesses dois exemplos, as palavras “documentação” e “metralha” foram vítimas do excesso de plural. Por expressarem a ideia de “conjunto”, de “grande quantidade”, o singular já daria conta: “A solicitação da documentação será feita o mais breve possível”; “A rua está cheia de metralha”.

Há outros casos de plural desnecessário. Mas você pode se livrar deles com facilidade: basta avaliar a real necessidade de pluralizar uma palavra, observar se o plural acrescenta alguma coisa, se faz diferença. Se não faz, esqueça o plural. Seu texto ficará mais leve, ficará melhor.

Artigo originalmente publicado no site Português na Rede, do professor Laércio Lutibergue.

 

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Revisão de Textos - Betty Vibranovski

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